Cólicas... Dizia toda a gente! E com muita paciência lá íamos levando o dia-a-dia e sobretudo as noites mal dormidas...
Desde muito cedo, talvez umas 2 semanas, talvez nem isso, começaste a vomitar o leite em jacto esporadicamente. Bolsou, é normal... lavava-te, dava-te de mamar novamente e passava...
Mas estes episódios começaram a tornar-se mais e mais frequentes!
Com 2 meses começamos a notar que os teus arrotes tinha um cheiro fétido, horrível e cada vez que comias ficavas com um ar de enjoado... como para além de mamar tomavas suplemento, pensei: é do leite, e toca a trocar... Andamos nisto quase duas semanas até que os vómitos passaram a ser constantes e com esse cheiro horrível que eu já não suportava... Começamos a correr para as urgências, onde, depois de te examinar, de te verem vomitar, diziam: Mamã, não é nada, é o bolsar normal dos bebés e lá vínhamos para casa.
No dia 11 de Abril de 2012, deste entrada por 2 vezes nas urgências, mas para eles não era nada. Como tinha a consulta dos 2 meses marcados na pediatra para dia 12, levamos aquela noite com paciência e decidimos esperar pela opinião da pediatra...
Foi uma noite para esquecer... Primeiro, porque era impossível estares de barriga vazia. És um comilão desde o momento que nasceste e não te calavas até teres a barriga cheia :) Mas assim que te dava de mamar, vomitavas e eu já não tinha roupa limpa que chegasse... comecei a noite com a cómoda do quarto cheia de roupa limpa e acabei com a roupa toda no canto do quarto para por a lavar e contigo embrulhado em toalhas!
No dia seguinte lá fomos para a consulta e como não te calavas com a fome, dei-te leite antes de entrar no consultório. Assim que entramos, vomitaste logo, e a pediatra, sem falarmos em nada do que se estava a passar, ficou alarmada com aquele vómito. Contamos o sucedido e ela encaminhou-te logo para ecografia de urgência...
A técnica de ecografia não conseguia ver nada de especial na ecografia, até que disse: Está com o estômago vazio (pudera, tinhas acabado de vomitar tudo no consultório)... Pode dar-lhe de mamar??
Lá te dei de mamar um pouco para que a médica pudesse fazer o exame novamente. Assim que voltou a colocar a sonda do ecógrafo na tua barriga, comentou: sim, o piloro não apresenta movimentos. Está a ver? Tinha que abrir e fechar... é o piloro!
E eu, aliviada por um lado se ter descoberto o problema, pergunto, ignorante: Dra., agora com medicação resolve-se, certo??
E diz-nos a médica: Não papás. Só com CIRURGIA...
Cirurgia! Aquela palavra atravessou-me o coração... Como era possível, o meu bebé, tão indefeso, ter que ser sujeito a uma cirurgia. E de urgência! O meu mundo desabou naquele momento e não consegui conter as lágrimas...
Voltamos ao consultório da pediatra, e até lá eu e o meu marido decidimos que operaríamos o nosso Guerreiro no hospital público. Era no público que tínhamos mais confiança (não perguntem porque) e até tínhamos seguro de saúde que cobriria as despesas da cirurgia, mas mesmo assim, preferimos seguir para o hospital.
Com a ecografia na mão, entramos mais uma vez pelas urgências e confrontamos os médicos do porque não terem notado este problema em todas as visitas dos dias anteriores. De repente, era um batalhão de médicos à volta do menino. Aí já sentiam o piloro inchado por apalpação, já tinha todos os sintomas...
Por políticas do hospital, tinham que fazer nova ecografia (levávamos uma acabada de fazer)... Mais uma vez tentaram de estômago vazio, mas tive que dar de mamar para poderem verificar no exame...
Fomos encaminhados para a área de decisão médica, onde lhe fizeram uma lavagem ao estômago, colocaram soro e uma sonda... Só me apetecia pegar no meu menino e leva-lo daí, tira-lo daquele sofrimento, mas afinal, aquilo tudo era para ele ficar bem...
Depois de algumas horas à espera, o médico cirurgião veio falar connosco. Explicou no que consistia a cirurgia e nós só queríamos saber: Quando?? - quando tivermos disponibilidade no bloco, respondeu o médico...
Mais umas horas passaram, choravas e choravas, cheio de fome e o nosso desespero aumentava. Fomos encaminhados para o internamento na pediatria e disseram-nos que só no dia seguinte seria operado. Como já era noite, o meu marido foi embora para casa e ficamos os dois sozinhos naquele quarto, agarrando a tua mãozinha e desejando ao máximo que aquele pesadelo acabasse o mais depressa possível...
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