Estenose pilórica é uma condição na qual há uma diminuição da luz
do piloro, que é a porção final do estômago. A doença pode se manifestar logo
após o nascimento (congénita) ou na vida adulta (adquirida).
Estenose hipertrófica congénita
do piloro é a forma mais comum e se manifesta semanas após o nascimento.
Crianças do sexo masculino são mais afectadas que as do sexo feminino, numa
taxa de 4:1. Há uma predisposição genética para a doença. É uma condição que
causa vómito grave nas primeiras semanas ou meses de vida. Ocorre um
estreitamento (estenose) da abertura do estômago para o intestino (piloro),
devido ao aumento (hipertrofia) do piloro. A causa ainda é desconhecida. O
diagnóstico é feito através do exame físico e exames de imagem (ultra-som e
radiografia de abdómen).
Estenose pilórica hipertrófica do
adulto, a forma adquirida da doença, é causada por um piloro estreitado devido
à cicatrização de ulceração péptica crónica, ou por uma obstrução mecânica
causada por neoplasias. Esta é uma condição completamente diferente da forma
infantil.
O tratamento de ambas as formas é
cirúrgico.
Sintomas
Bebés com esta doença normalmente
apresentam vómitos à qualquer hora nas primeiras semanas e meses de vida, com
tendência a piorar. Algumas crianças apresentam alimentação pobre e perda de
peso, mas outros demonstram ganho de peso normal. Nos adultos há perda
ponderal, vómitos e em alguns casos relato de dor.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito
através de uma história minuciosa e exame físico, frequentemente complementados
por estudos radiográficos. Exames, como a palpação do abdómen, podem revelar
uma massa no epigástrio. Esta massa palpável ao exame físico corresponde ao
piloro aumentado, sendo chamada de "oliva". Muitas vezes observa-se
ondas peristálticas, que correspondem ao estômago tentando forçar seu conteúdo
adiante da saída pilórica estreitada.
Exames de sangue podem mostrar
hipocaliemia associada a alcalose metabólica hipoclorêmica devido à perda de
ácido gástrico (que contêm ácido clorídrico) por vómitos persistentes.
Exames radiológicos
Actualmente a maioria dos casos é
confirmada pelo ultra-som abdominal, quando disponível, mostrando o
espessamento do piloro. Também podem ser realizados exames de radiografias
contrastadas do trato gastrointestinal superior, que mostram o estreitamento da
saída pilórica preenchido um filete delgado de contraste radiológico.
Radiografias simples do abdómen não são úteis para confirmar o diagnóstico, mas
podem demonstrar aumento da quantidade de ar presente no estômago.
Tratamento
A estenose pilórica infantil é,
em geral, tratada através de cirurgia. É importante entender que o perigo da
estenose pilórica vem da desidratação e perturbação do equilíbrio de electrólitos,
em lugar do próprio problema subjacente. O bebé deve ser estabilizado
inicialmente corrigindo a desidratação e a alcalose hipoclorêmica com fluidos intravenosos.
Isto normalmente pode ser realizado em aproximadamente 24-48 horas.
Embora muito poucos casos sejam
moderados o suficiente para serem tratados com medicamentos, o tratamento
definitivo de estenose pilórica está na piloromiotomia cirúrgica (que divide o
músculo do piloro para abrir a saída gástrica). Esta é uma cirurgia
relativamente directa que pode ser feita por uma única incisão (normalmente 3–4
cm) ou por Laparoscopia (várias incisões minúsculas), dependendo da experiência
do cirurgião e da sua preferência.
Alguns vómitos podem ser
esperados durante os primeiros dias após a cirurgia. Ocasionalmente a miotomia
(divisão de músculo) é incompleta e os vómitos continuam, requerendo uma nova
intervenção cirúrgica. A condição geralmente não tem nenhum efeito colateral de
longa data ou impacto no futuro da criança.
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