quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O Abrir dos olhos

Com o passar da inflamação, o nosso guerreiro conseguiu abrir um dos olhos. Foi um momento que também me marcou bastante. Um reencontro. O voltar a ver-nos e a sua alegria foi contagiante!



Se por um momento ficamos na dúvida se realmente estava a conseguir ver por aquele olho, logo tivemos a certeza pela reacção dele. E eu?? Chorava que nem Madalena... Feliz por ver a alegria dele ao voltar a olhar para nós, e com o coração apertadinho por tudo o que ele estava a passar... 

O comportamento dele mudou desde que conseguiu abrir o olho. Começou logo a brincar, a estar mais desperto. No dia seguinte já conseguia abrir os dois olhos. Mas as dores não davam tréguas. 
Os médicos queriam suspender a morfina, mas assim que deixava de fazer efeito ele só chorava... 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Os primeiros dias na pediatria

Os primeiros dias na pediatria trouxe o início do processo desinflamatório. Logo na primeira manhã notamos que as faixas colocadas na cabeça estavam a cair porque a cabeça não estava tão inchada. 
Tinha chegado a altura do primeiro curativo...

A enfermeira bem perguntou, por várias vezes, se queria estar presente. Nunca duvidei que iria acompanhá-lo em tudo quanto fosse possível...

Assim que começaram a retirar o penso o corte começou a sangrar. Ainda estava muito sensível e era normal tal situação. Só conseguia pensar em acalmá-lo, já que cada toque na sua cabeça resultava num choro intenso...

Depois do curativo feito e novas ligaduras colocadas, comecei a sentir-me muito mal... tive que me sentar. A sensação de ter visto aquele corte ainda tão aberto estavam a ser mais fortes... 

Voltamos para a pediatria. Para os dias sem grande objectivo. Os médicos mandaram andar com ele ao colo, na vertical, para ajudar a passar o inchaço... Pensamos que com aquele "cabeção" ele não conseguisse manter-se na vertical, mas mais uma vez surpreendeu-nos! E assim víamos a evolução rápida que o processo estava a ter...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Os dias seguintes...

No dia seguinte fomos logo de manhã para o hospital. O nosso guerreiro tinha passado bem a noite e estava a dormir. Assim passou os primeiros dias: Medicado e praticamente a dormir. Durante a primeira noite necessitou de mais uma transfusão de sangue e de plasma. Estava tão "drogado" que nem a chupeta queria...
Eu e o meu marido tínhamos que estar à vez com ele. Não podíamos estar os dois ao mesmo tempo. Também não havia visitas. Tanto eu como o meu marido notámos que se falássemos ao lado dele ele ficava agitado. Passamos a manter-nos em silêncio para não o agitar. Como não conseguia abrir os olhos e não nos via, procurava ansiosamente por nós...
Ao fim do 2o dia tinham que dar um pouco de leite para ver como reagia. Pois bebeu tudo num ápice e assim que acabou desatou a chorar porque queria mais! Confesso que senti um grande alívio ao ver o meu comilão a reagir :)

No 3o dia, lavaram-no na minha presença e sem eu contar, colocaram-no no meu colo! Foi uma sensação indescritível! Senti como se fosse a primeira vez, mas com muitos cuidados com a cabeça, e os fios que tinha agarrados ao seu corpo...
Neste dia saímos dos cuidados intensivos. Um pouco antes de tempo como explicou o neurocirurgião, mas infelizmente havia uma criança em estado muito grave a necessitar e o nosso menino era o que estava melhor de todos os internados naquela ala.

A passagem para a pediatria foi muito difícil. O ambiente era completamente diferente. De uma sala silenciosa, calma, com temperatura controlada, passamos para um quarto partilhado por 6 crianças, cada uma a falar ou chorar. Um calor de morrer. O nosso menino sentiu a diferença e também ficou muito agitado. Felizmente a maior parte das crianças estavam a aguardar a alta para aquele dia excepto uma menina que nos fez companhia em todo o internamento. A Enfermeira alterou a temperatura do ar condicionado do quarto e o guerreiro ficou mais sereno... Era, no entanto, uma dor vê-lo...