No dia seguinte fomos logo de manhã para o hospital. O nosso guerreiro tinha passado bem a noite e estava a dormir. Assim passou os primeiros dias: Medicado e praticamente a dormir. Durante a primeira noite necessitou de mais uma transfusão de sangue e de plasma. Estava tão "drogado" que nem a chupeta queria...
Eu e o meu marido tínhamos que estar à vez com ele. Não podíamos estar os dois ao mesmo tempo. Também não havia visitas. Tanto eu como o meu marido notámos que se falássemos ao lado dele ele ficava agitado. Passamos a manter-nos em silêncio para não o agitar. Como não conseguia abrir os olhos e não nos via, procurava ansiosamente por nós...
Ao fim do 2o dia tinham que dar um pouco de leite para ver como reagia. Pois bebeu tudo num ápice e assim que acabou desatou a chorar porque queria mais! Confesso que senti um grande alívio ao ver o meu comilão a reagir :)
No 3o dia, lavaram-no na minha presença e sem eu contar, colocaram-no no meu colo! Foi uma sensação indescritível! Senti como se fosse a primeira vez, mas com muitos cuidados com a cabeça, e os fios que tinha agarrados ao seu corpo...
Neste dia saímos dos cuidados intensivos. Um pouco antes de tempo como explicou o neurocirurgião, mas infelizmente havia uma criança em estado muito grave a necessitar e o nosso menino era o que estava melhor de todos os internados naquela ala.
A passagem para a pediatria foi muito difícil. O ambiente era completamente diferente. De uma sala silenciosa, calma, com temperatura controlada, passamos para um quarto partilhado por 6 crianças, cada uma a falar ou chorar. Um calor de morrer. O nosso menino sentiu a diferença e também ficou muito agitado. Felizmente a maior parte das crianças estavam a aguardar a alta para aquele dia excepto uma menina que nos fez companhia em todo o internamento. A Enfermeira alterou a temperatura do ar condicionado do quarto e o guerreiro ficou mais sereno... Era, no entanto, uma dor vê-lo...

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