Estava ali, a olhar para ti, preparada para uma noite difícil, quando vejo um enfermeiro entrar pelo quarto dentro com uma maca: Vai ser operado agora!
O meu coração ficou a mil, aliviada por um lado, porque assim acabava mais rápido o sofrimento, angustiada e desesperada com a possibilidade de que algo corresse menos bem...
Liguei imediatamente ao meu marido e acompanhei o meu guerreiro até à porta do Bloco...
Entregar um filho nos braços dos enfermeiros é das coisas mais difíceis que pode haver... Uma linha vermelha impedia a passagem e do lado de fora só conseguia ouvir o choro!
...
Uma hora e meia de angústia passou e vejo as enfermeiras a passar com o meu filho ao colo... Do outro lado saia o médico para nos explicar como tinha corrido a cirurgia: Correu tudo bem, mas havia uma grande inflamação do piloro...
O meu filho foi operado por Laparoscopia, ou seja, não foi realizado um corte convencional, mas foi operado através de 3 pequenas incisões que levaram 1 ponto. Uma das incisões é no umbigo.
Preparei-me para entrar com a vestimenta adequada e encontrei-o ainda a dormir, calmo e sereno... Cheio de tubos... Ali ficamos no recobro até às 5h da manhã, quando fomos encaminhados novamente para o quarto.
O meu filho dormia lindamente até que uma enfermeira decidiu medir-lhe as tensões... Acordou sobressaltado e chorou desesperadamente. Num primeiro impulso agarrei nele e tentei acalmá-lo... Quando finalmente acalmou, deitei-o para que continuasse a descansar. Olho para o chão e vejo algum sangue... Até na minha roupa tinha sangue... O meu coração disparou, chamei a enfermeira, mas enquanto ela não vinha, reparo que o cateter do soro tinha saído...
A enfermeira chegou e lá tivemos que leva-lo para a enfermaria para ser picado mais uma vez, para ouvir o seu choro mais uma vez, para ficar com o coração apertado mais uma vez....
Voltamos para o quarto e deixei-o descansar novamente. Eu lá consegui fechar os olhos um bocado.
É de dia. Nem queria pegar nele para não incomodar o seu descanso, mas verifico que estava todo encharcado. Nunca mais me tinha lembrado em mudar-lhe a fralda... Pior, como havia sido operado de urgência, não tinha mais roupa comigo. Embrulho-o na manta, pensei. Molhado é que não poderia ficar... Retirei-lhe a roupa e mudei-lhe a fralda com muito cuidado. Segurei-o ao colo para estender a manta e assim poder enrrola-lo quentinho. Pouso-o em cima da manta e em pânico vejo que um dos pontos tinha aberto e da incisão saia algo que não sei descrever... Chamei as enfermeiras desesperada!
A mãe de outro menino que dividia o quarto connosco ficou assustada com o meu chamamento e aproximou-se a ver o que se passava. Saiu apressada a chamar as enfermeiras. A incisão foi tapada e o médico foi chamado para verificar o que se passava. Aqueles minutos foram uma eternidade... Apenas consegui chorar e chorar enquanto aguardava que um médico viesse ver o meu filho...
Chegou o médico: Mãe, o ponto abriu, o que se vê a sair é a gordura que está por baixo da pele. O menino terá que ir novamente a bloco...
Novamente a bloco, novamente entrega-lo às enfermeiras, novamente passar por tudo!
E assim foi... Senti-me mal pois não tinha comido nada desde o dia anterior, A outra mãe teve o cuidado de ir buscar um pão e um sumo para mim que mal conseguia engolir... Tinha um nó na garganta que mal me deixava falar...
Depois de nova intervenção, voltamos para o quarto e o meu filho descansava. Estava com outra cara, mas de vez em quando reclamava com fome. Entretanto o meu marido havia chegado e aproveitei para ir repor energias a casa, tomar um banho...
Assim que cheguei ao hospital novamente, o médico havia dado luz verde para dar de mamar ao meu filho. E foi naquele momento que o meu coração ficou aliviado, ainda com medo de um novo vómito surgir, mas tão feliz por vê-lo novamente a mamar...
Mamou duas vezes naquele dia e não vomitou. Passamos mais uma noite no hospital, com uma mamada no meio. No dia seguinte de manhã, estava tudo ok. Tivemos alta! O pesadelo acabou...
Mal sabia eu, que muitas provas ainda estavam por vir...
Criei este blog para relatar a minha viagem no mundo da maternidade e todos os contratempos vividos com o meu Guerreiro que já ultrapassou 3 cirurgias: Estenose Hipertrófica do Piloro, Craniossinostose (trigonocefalia) e colocação de tubos transtimpanicos...
terça-feira, 28 de abril de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
Estenose do Piloro, o que é??
Estenose pilórica é uma condição na qual há uma diminuição da luz
do piloro, que é a porção final do estômago. A doença pode se manifestar logo
após o nascimento (congénita) ou na vida adulta (adquirida).
Estenose hipertrófica congénita
do piloro é a forma mais comum e se manifesta semanas após o nascimento.
Crianças do sexo masculino são mais afectadas que as do sexo feminino, numa
taxa de 4:1. Há uma predisposição genética para a doença. É uma condição que
causa vómito grave nas primeiras semanas ou meses de vida. Ocorre um
estreitamento (estenose) da abertura do estômago para o intestino (piloro),
devido ao aumento (hipertrofia) do piloro. A causa ainda é desconhecida. O
diagnóstico é feito através do exame físico e exames de imagem (ultra-som e
radiografia de abdómen).
Estenose pilórica hipertrófica do
adulto, a forma adquirida da doença, é causada por um piloro estreitado devido
à cicatrização de ulceração péptica crónica, ou por uma obstrução mecânica
causada por neoplasias. Esta é uma condição completamente diferente da forma
infantil.
O tratamento de ambas as formas é
cirúrgico.
Sintomas
Bebés com esta doença normalmente
apresentam vómitos à qualquer hora nas primeiras semanas e meses de vida, com
tendência a piorar. Algumas crianças apresentam alimentação pobre e perda de
peso, mas outros demonstram ganho de peso normal. Nos adultos há perda
ponderal, vómitos e em alguns casos relato de dor.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito
através de uma história minuciosa e exame físico, frequentemente complementados
por estudos radiográficos. Exames, como a palpação do abdómen, podem revelar
uma massa no epigástrio. Esta massa palpável ao exame físico corresponde ao
piloro aumentado, sendo chamada de "oliva". Muitas vezes observa-se
ondas peristálticas, que correspondem ao estômago tentando forçar seu conteúdo
adiante da saída pilórica estreitada.
Exames de sangue podem mostrar
hipocaliemia associada a alcalose metabólica hipoclorêmica devido à perda de
ácido gástrico (que contêm ácido clorídrico) por vómitos persistentes.
Exames radiológicos
Actualmente a maioria dos casos é
confirmada pelo ultra-som abdominal, quando disponível, mostrando o
espessamento do piloro. Também podem ser realizados exames de radiografias
contrastadas do trato gastrointestinal superior, que mostram o estreitamento da
saída pilórica preenchido um filete delgado de contraste radiológico.
Radiografias simples do abdómen não são úteis para confirmar o diagnóstico, mas
podem demonstrar aumento da quantidade de ar presente no estômago.
Tratamento
A estenose pilórica infantil é,
em geral, tratada através de cirurgia. É importante entender que o perigo da
estenose pilórica vem da desidratação e perturbação do equilíbrio de electrólitos,
em lugar do próprio problema subjacente. O bebé deve ser estabilizado
inicialmente corrigindo a desidratação e a alcalose hipoclorêmica com fluidos intravenosos.
Isto normalmente pode ser realizado em aproximadamente 24-48 horas.
Embora muito poucos casos sejam
moderados o suficiente para serem tratados com medicamentos, o tratamento
definitivo de estenose pilórica está na piloromiotomia cirúrgica (que divide o
músculo do piloro para abrir a saída gástrica). Esta é uma cirurgia
relativamente directa que pode ser feita por uma única incisão (normalmente 3–4
cm) ou por Laparoscopia (várias incisões minúsculas), dependendo da experiência
do cirurgião e da sua preferência.
Alguns vómitos podem ser
esperados durante os primeiros dias após a cirurgia. Ocasionalmente a miotomia
(divisão de músculo) é incompleta e os vómitos continuam, requerendo uma nova
intervenção cirúrgica. A condição geralmente não tem nenhum efeito colateral de
longa data ou impacto no futuro da criança.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Os primeiros meses e o primeiro desafio: Estenose Hipertrófica do Piloro...
Desde o teu nascimento, já no hospital, vi logo que eras um miúdo exigente... Choravas desesperadamente por tudo e por nada... Por vezes era difícil acalmar-te!
Cólicas... Dizia toda a gente! E com muita paciência lá íamos levando o dia-a-dia e sobretudo as noites mal dormidas...
Desde muito cedo, talvez umas 2 semanas, talvez nem isso, começaste a vomitar o leite em jacto esporadicamente. Bolsou, é normal... lavava-te, dava-te de mamar novamente e passava...
Mas estes episódios começaram a tornar-se mais e mais frequentes!
Com 2 meses começamos a notar que os teus arrotes tinha um cheiro fétido, horrível e cada vez que comias ficavas com um ar de enjoado... como para além de mamar tomavas suplemento, pensei: é do leite, e toca a trocar... Andamos nisto quase duas semanas até que os vómitos passaram a ser constantes e com esse cheiro horrível que eu já não suportava... Começamos a correr para as urgências, onde, depois de te examinar, de te verem vomitar, diziam: Mamã, não é nada, é o bolsar normal dos bebés e lá vínhamos para casa.
No dia 11 de Abril de 2012, deste entrada por 2 vezes nas urgências, mas para eles não era nada. Como tinha a consulta dos 2 meses marcados na pediatra para dia 12, levamos aquela noite com paciência e decidimos esperar pela opinião da pediatra...
Foi uma noite para esquecer... Primeiro, porque era impossível estares de barriga vazia. És um comilão desde o momento que nasceste e não te calavas até teres a barriga cheia :) Mas assim que te dava de mamar, vomitavas e eu já não tinha roupa limpa que chegasse... comecei a noite com a cómoda do quarto cheia de roupa limpa e acabei com a roupa toda no canto do quarto para por a lavar e contigo embrulhado em toalhas!
No dia seguinte lá fomos para a consulta e como não te calavas com a fome, dei-te leite antes de entrar no consultório. Assim que entramos, vomitaste logo, e a pediatra, sem falarmos em nada do que se estava a passar, ficou alarmada com aquele vómito. Contamos o sucedido e ela encaminhou-te logo para ecografia de urgência...
A técnica de ecografia não conseguia ver nada de especial na ecografia, até que disse: Está com o estômago vazio (pudera, tinhas acabado de vomitar tudo no consultório)... Pode dar-lhe de mamar??
Lá te dei de mamar um pouco para que a médica pudesse fazer o exame novamente. Assim que voltou a colocar a sonda do ecógrafo na tua barriga, comentou: sim, o piloro não apresenta movimentos. Está a ver? Tinha que abrir e fechar... é o piloro!
E eu, aliviada por um lado se ter descoberto o problema, pergunto, ignorante: Dra., agora com medicação resolve-se, certo??
E diz-nos a médica: Não papás. Só com CIRURGIA...
Cirurgia! Aquela palavra atravessou-me o coração... Como era possível, o meu bebé, tão indefeso, ter que ser sujeito a uma cirurgia. E de urgência! O meu mundo desabou naquele momento e não consegui conter as lágrimas...
Voltamos ao consultório da pediatra, e até lá eu e o meu marido decidimos que operaríamos o nosso Guerreiro no hospital público. Era no público que tínhamos mais confiança (não perguntem porque) e até tínhamos seguro de saúde que cobriria as despesas da cirurgia, mas mesmo assim, preferimos seguir para o hospital.
Com a ecografia na mão, entramos mais uma vez pelas urgências e confrontamos os médicos do porque não terem notado este problema em todas as visitas dos dias anteriores. De repente, era um batalhão de médicos à volta do menino. Aí já sentiam o piloro inchado por apalpação, já tinha todos os sintomas...
Por políticas do hospital, tinham que fazer nova ecografia (levávamos uma acabada de fazer)... Mais uma vez tentaram de estômago vazio, mas tive que dar de mamar para poderem verificar no exame...
Fomos encaminhados para a área de decisão médica, onde lhe fizeram uma lavagem ao estômago, colocaram soro e uma sonda... Só me apetecia pegar no meu menino e leva-lo daí, tira-lo daquele sofrimento, mas afinal, aquilo tudo era para ele ficar bem...
Depois de algumas horas à espera, o médico cirurgião veio falar connosco. Explicou no que consistia a cirurgia e nós só queríamos saber: Quando?? - quando tivermos disponibilidade no bloco, respondeu o médico...
Mais umas horas passaram, choravas e choravas, cheio de fome e o nosso desespero aumentava. Fomos encaminhados para o internamento na pediatria e disseram-nos que só no dia seguinte seria operado. Como já era noite, o meu marido foi embora para casa e ficamos os dois sozinhos naquele quarto, agarrando a tua mãozinha e desejando ao máximo que aquele pesadelo acabasse o mais depressa possível...
quarta-feira, 15 de abril de 2015
A tua chegada...
Depois de uma gravidez cheia de enjoos e mais enjoos, onde, apesar disso, sempre correu tudo bem, nasceste, por cesariana, no dia 2 de Fevereiro de 2012. Como aqui a mãe ficou algo nervosa com o aparato da cesariana de urgência, tiveram que adormecer-me e não presenciei o teu nascimento a 100%.
Assim que despertei, enquanto ainda era cozida, o médico disse: "Mamã, tem aqui um artista! O seu bebé tinha um nó no cordão, para além das 2 voltas ao pescoço..."
Só quando cheguei ao quarto e a enfermeira que estava de serviço me explicou, é que tive noção do perigo que este "artista" tinha corrido... Aquele nó no cordão, coisa que não me parecia nada importante, podia ter dado outro final à minha gravidez e outro desfecho ao parto... Bastava que tivesse sido um pouco apertado para os efeitos serem os piores... Mas aí o "artista" já demonstrou que tinha vindo a este mundo para lutar, e aquela tinha sido apenas a primeira de muitas provas a superar!
Mas, para além disto, ao olhar bem para o meu filho depois da confusão toda do parto ter passado, achei que algo não estava bem com a sua cabeça... No entanto, e como os médicos nada apontaram nesse sentido, pensei que seria apenas a forma de ter estado na minha barriga. Nada com importância... Deixei passar sem comentar com alguém, até porque para mim, serias sempre lindo e perfeito...
terça-feira, 14 de abril de 2015
Ser Mãe...
Ser Mãe, parece algo tão fácil, tão maravilhoso quando olhámos para o nosso mundo em redor...
Cresci com o sonho de ser mãe. Desde pequena brincava com os bonecos lá de casa como se de bebés verdadeiros se tratasse... Longe de imaginar, na minha feliz ignorância, de que a maternidade não é só dar mimos, mudar fraldas e alimentar!
Com o passar dos anos, vamos percebendo que a maternidade não se resume apenas a estas pequenas coisas que tanto brincava. Mas mesmo assim, ao sonhar ser mãe, não imaginava que os contratempos podiam ser tantos e tão duros... Cresci numa família de crianças saudáveis e perfeitas, felizmente! Mas a vida veio ensinar-me que nem sempre é assim... E que como diziam os antigos: todos temos telhados de vidro...
A vida brindou-me o privilégio de ser mãe. Sim, um grande privilégio! Mas também me brindou o privilégio de superar com o meu maior tesouro grandes batalhas... Tenho a certeza que mais virão, porque a vida é feita de batalhas, mas aqui estarei para as tentar superar... Porque a maternidade é um longo percurso que se faz passo a passo!
Com a criação deste blog pretendo dar o meu exemplo a quem possa necessitar, porque assim já eu precisei. Sei que duas crianças e dois casos nunca são iguais, mas sei que a história dos outros é sempre uma força para aqueles que estão a passar por algo semelhante...
Cresci com o sonho de ser mãe. Desde pequena brincava com os bonecos lá de casa como se de bebés verdadeiros se tratasse... Longe de imaginar, na minha feliz ignorância, de que a maternidade não é só dar mimos, mudar fraldas e alimentar!
Com o passar dos anos, vamos percebendo que a maternidade não se resume apenas a estas pequenas coisas que tanto brincava. Mas mesmo assim, ao sonhar ser mãe, não imaginava que os contratempos podiam ser tantos e tão duros... Cresci numa família de crianças saudáveis e perfeitas, felizmente! Mas a vida veio ensinar-me que nem sempre é assim... E que como diziam os antigos: todos temos telhados de vidro...
A vida brindou-me o privilégio de ser mãe. Sim, um grande privilégio! Mas também me brindou o privilégio de superar com o meu maior tesouro grandes batalhas... Tenho a certeza que mais virão, porque a vida é feita de batalhas, mas aqui estarei para as tentar superar... Porque a maternidade é um longo percurso que se faz passo a passo!
Com a criação deste blog pretendo dar o meu exemplo a quem possa necessitar, porque assim já eu precisei. Sei que duas crianças e dois casos nunca são iguais, mas sei que a história dos outros é sempre uma força para aqueles que estão a passar por algo semelhante...
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